quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O perfume da Rosa


As pessoas morrem. As pessoas vão embora. E deixam-nos mais vazios, mais pobres, porque levam com elas aquilo que tinham lá dentro e generosamente nos ofereciam. Quando um poeta morre, cai uma espécie de silêncio no mundo e em mim. Hoje foi com uma dor escura que passei a Rosinha, como ela gostava de ser chamada, da minha lista dos Inimitáveis para a dos Inesquecíveis, aqui, mesmo ao lado das minhas palavras. Conheci-a pessoalmente no lançamento do último livro, As Esquinas do Tempo. Chegou atrasada e molhada, porque chovia muito nessa noite... Depois sentou-se e conversou connosco. Havia nela algo de especial, uma luz rara como só possuem as pessoas que sabem espelhar o mundo das emoções... No momento das perguntas do público, ela olhou-me fixamente, sentada na primeira fila mesmo em frente a ela, e perguntou-me se eu queria colocar alguma questão. E eu queria. Queria saber como se faz para escolher as palavras certas, como se consegue abraçar as frases até elas fazerem sentido, como se perfuma um texto... Ela respondeu. E quando me autografava o livro, disse-me: "Você compreende-me... Gosto dos seus olhos, são olhos de quem ama e entende. Gostei de si".
Eu também gostei de si, Rosinha. Das suas palavras, das suas emoções, da sua alegria, da sensibilidade. Gostei do seu inesquecível perfume.
Até sempre, Rosinha.

2 comentários:

Daniel Fernandes disse...

Sem duvida uma grande perda.

De Profundis disse...

Restam-nos as palavras, todas as que ela deixou.
Obrigada pela visita Daniel.