terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E continuar


Finalmente parar. E mergulhar. Num livro inquietante, no vôo de um poema, numa música inesquecível ou numa frase que não sabemos terminar. Mergulhar. Dar um título ao livro da vida. Fechar um capítulo. E colocar o ponto final. Mergulhar. Fundo. Na solidão de um silêncio que tudo abraça e apaga a contagem das horas. Esquecer num mergulho que às vezes a vida nos rói nas esquinas afiadas, que rasga os sorrisos sem sequer perguntar se pode. Esquecer. Procurar a calma no fim do mergulho, lá onde o frio é mais intenso e não se ouvem as aves. Escorregar. Para dentro. Parar a vida, deixá-la em suspenso, no vazio, para nos encontrarmos no outro lado do espelho, e deixar o coração correr como um louco, de memória em memória, esperando que ele se canse. E desista.
Deslizar sem luta para dentro do mergulho que nos fará regressar.
E depois vir à tona e respirar. Fundo. Sorrir.
E continuar.

2 comentários:

Lídia Borges disse...

"Finalmente parar" O advérbio a deixar perceber o "fim de linha" como algo esperado, apesar dos medos, dos mergulhos e das "traições" da memória...

Seguir em frente, parece ser a única solução.

Força, amiga!

De Profundis disse...

Um beijo, Lídia.
E um sorriso :)