domingo, 1 de maio de 2011

Mãe

Na porta da direita do teu roupeiro, encostado ao fundo, quase invisível, guardas o teu vestido mais bonito. Vais voltar a vesti-lo um dia, disseste, para ires comigo ver o mar. Sempre gostei dele, do tecido macio de ramagens azuis caindo-te num évasé suave que desce pelas linhas da anca e num movimento elegante te acompanha o caminhar. Sei que ainda o guardas, na porta da direita do teu roupeiro. Cobriste-o com um comprido plástico transparente para que a humidade não o estragasse e esqueceste-o no canto mais escuro, mas eu sei-o lá... E hoje quando me perguntaste se eu estava triste, era nele que pensava, no vestido de ramagens azuis que queria que tivesses vestido... Pensava que hoje, ao menos hoje, os teus ossos te permitiriam ficar de pé o tempo suficiente para te levar a passear, a encher os pulmões de mar e de vento, para que sentisses na pele o sol que já é quente... Comeríamos um gelado e riríamos muito, conversaríamos em francês e iríamos ver as montras, como dantes fazíamos... Mas sabes mãe, não te contei nada disto porque não te queria ver triste, só te abracei com tudo aquilo que sinto a ferver-me dentro do peito e te disse Amo-te muito, mamã...!

4 comentários:

Anónimo disse...

Um abraço Paula
LC

De Profundis disse...

Obrigada pela visita e pelo carinho, L.C.

Um beijo

Maria Campos disse...

Quem me dera saber-te com ela, falando Francês e comendo gelados em gargalhadas numa esplanada da marginal !

Diz-lhe que continuo à espera, pacientemente. Continuo à espera da visita e do ... abraço !

Beijos para as duas.

De Profundis disse...

Obrigada, Maria :)

Beijos para ti... meus e da Mamã.