terça-feira, 24 de maio de 2011

Da espera

O principezinho voltou no dia seguinte.

- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. - Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... Precisamos de rituais.

- O que é um ritual? - disse o principezinho.

- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - É o que torna um dia diferente dos outros dias e uma hora diferente das outras horas.

Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

4 comentários:

sentidos de coimbra disse...

Olá minha querida,
Retenho, em memória, vários momentos do livro, mas este é talvez dos mais deliciosos! Amei cruzar-me com ele novamente...
(Fez-me sorrir por dentro! Obrigada.)

Beijinho
cris

Lídia Borges disse...

Muito bonito este excerto que escolheste de uma obra belíssima que não tem idade, nem época, nem hora para ser apreciada.
Os rituais fazem falta, sim. Adoçam-nos a vida.

Beijo meu

De Profundis disse...

Cris, eu sei o quanto gostas do Principezinho :) Que bom ter-te feito sorrir!

Beijos, muitos!

De Profundis disse...

Os rituais fazem falta sim, Lídia. Tenho saudades dos nossos...!

Beijo e abraço apertadinho :)