segunda-feira, 16 de maio de 2011

Aprender a solidão

Porque curiosamente, onde menos te encontro é onde tu exististe. Desprendeste-te donde estiveste e é em mim que mais me acontece tu estares. Mas nem sempre. Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes eu penso que é bom que assim seja para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro e digo vai-te, vai-te embora. Por favor. E eu sinto-me logo tão infeliz. E digo-te não vás. Fica. Para sempre. Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo.

Vergílio Ferreira, Cartas a Sandra

4 comentários:

Lídia Borges disse...

Vergílio Ferreira ?!...
Parecia mesmo teu, assim, ao correr da letra.

Um beijo

De Profundis disse...

Que elogio lindo, Lídia! Obrigada :))

Beijoooosss

Olga disse...

Vou ter que roubar! :))

De Profundis disse...

É lindo demais, Olga :)

Beijinho