sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NATAL


Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens um presépio
Mais agasalhado.

Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

Miguel Torga, Natal

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Minha Amiga

Quanta sensibilidade, quanta beleza!
É preciso sentir muito baixinho para não acordar o Menino.

Um beijo

De Profundis disse...

É preciso sentir baixinho e cá dentro, no sítio mais fundo onde todos os sonhos fazem sentido...
Um beijo, Lídia :)