quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Até ao fim


Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

Nuno Júdice, in Pedro, Lembrando Inês

2 comentários:

Raquelita disse...

Muito Bom:)

De Profundis disse...

Um beijinho, Raquelita. Gostei de te ver por aqui. :)