quinta-feira, 19 de junho de 2008

Uma Bandeira


É sempre a mesma coisa. De todas as vezes que há um jogo importante, eu juro para mim própria que desta vez é que vai ser. Juro que não me enervarei, não gritarei, não direi asneiras, enfim, que serei boa menina e capaz de me controlar. Até porque eu não entendo absolutamente nada de futebol. Gosto de ver e é só. Não faço a mais pálida ideia de quando é pontapé de baliza, canto, livre directo, grande penalidade, e a expressão "fora de jogo" tira-me do sério. A história dos cartões amarelos é outro cavalo de batalha... umas vezes é, outras não... ai e tal, o árbitro não viu... pois, é preciso não esquecer que quem decide tudo é sempre o árbitro... que umas vezes vê e outras não, umas vezes acredita, outras nem pensar nisso. Por tudo isto, dizia eu, não pretendo sequer discutir futebol com ninguém e o meu papel resume-se tão só a sentar-me no sofá e torcer pela minha equipa. Ou pelo meu país, como foi hoje o caso. Não sei dizer se a nossa equipa jogou bem ou não, nunca me atreveria a comentar a táctica do Scolari, a escolha dos jogadores ou o desempenho da rapaziada... só sei que Portugal foi afastado do Euro 2008. Porque perdeu. Porque marcou menos golos do que a Alemanha. E isso basta.
Enquanto o jogo decorria e as câmaras filmavam os adeptos portugueses, viam-se nas bancadas rostos pintados de vermelho e verde, bandeiras do meu país orgulhosamente exibidas, cachecóis e camisolas envergados com dignidade, chapéus incríveis com as cores da nação. E isto é muito bonito e não me deixa indiferente. Rostos sofridos, lágrimas, desalento, mãos apertadas de angústia e bocas que roíam unhas... mas também sorrisos e palmas, canções, entusiasmo e muita fé. Nos noventa minutos em que decorreu o jogo, as ruas estavam desertas e o país parado. Um país unido durante uma hora e meia, com os olhos postos na vitória. E este mérito ninguém tira ao futebol, ninguém rouba aos nossos jogadores: a nossa selecção, vestindo as cores do país, uniu os cidadãos nas mesmas emoções, nos mesmos anseios, com os mesmos sonhos no horizonte. Político algum conseguirá jamais semelhante proeza e é por isso que eu respeito o futebol. Durante noventa minutos, somos apenas um povo.Uma nação. Uma raça. Uma bandeira.

4 comentários:

sentidos de coimbra disse...

Fica o saldo positivo: Pete e Deco. O resto foi paisagem!
(é uma impressão desprendida de quem também não entende nada de futebol)

Beijinho,

cris

Wolkengedanken disse...

"somos apenas um povo.Uma nação. Uma raça. Uma bandeira."

Hmmmm ..... eu sempre com o mesmo problema: agora imagina este comentario da boca dum alemao..... Os gritos "fascismo","complexo de superioridade" e pior chegariam até o ceu ..... Nao é uma critica é apenas uma observacao que tambem fiz na ocasao do "Dia da Raca" em Portugal....

Donagata disse...

Vim por aqui fazer uma visitinha. gostei do que vi. Voltarei certamente.
Obrigada pelo seu simpático comentário de parabéns.
Um beijo.

Maria Campos disse...

Eu não o diria melhor. E é isto. O futebol vale pelo que une! E, vitória moral, sublimação, ou o que lhe quiserem chamar, mas a verdade é que, para mim, e apesar de tudo, Portugal tem todo o meu orgulho.

M.C.