quinta-feira, 26 de junho de 2008

Eu calava-me...


As pessoas cheias de certezas irritam-me profundamente. Não há nada a fazer, é superior às minhas próprias forças... Quando as ouço falar, desenvolvo uma espécie de alergia mental, uma urticária subcutânea difícil de disfarçar. As pessoas cheias de certezas, medem seguramente mais vinte centímetros que um ser humano comum e não falam normalmente, cospem as suas certezas alto e arrogantemente, despejando um olhar de comiseração em redor, como se os outros fossem formigas e elas o elefante... Estas pessoas nunca se enganam e nunca têm dúvidas... também não hesitam nem vacilam... não pedem desculpa porque nunca estão erradas...Verdadeiras visionárias, estas pessoas sabem sempre o que vai acontecer, tecem longas prelecções sobre o estado do mundo e das coisas e têm sempre opiniões seguríssimas acerca de qualquer assunto. Por mais insignificante que seja. E quantas vezes, quando ouço falar pessoas assim, me interrogo sobre o que fariam se a vida lhes tirasse o tapete, se lhes acontecessem coisas inimagináveis e terríveis... Se adoecessem gravemente, se um acidente as deixasse tetraplégicas, se perdessem um filho, se uma bomba lhes destruísse a casa, se um terramoto lhes levasse toda a família, se se vissem de repente arruinadas... doentes... sozinhas... Em que tom falariam então? Com que espécie de seguras certezas?
É por isso que eu, que sou uma mulher sem certezas de espécie alguma, sempre que me deparo com este tipo de pessoas, aperto os punhos, inalo a raiva e a irritação, afasto-me o mais rápido que posso e sei apenas que no lugar delas... eu calava-me.
Com toda a certeza.

2 comentários:

Na Ponta dos Pés disse...

Também eu.

Maria Campos disse...

Pois é. Só que eu não me calava.Acho , que com tolerância, paciência, carinho e diálogo, podemos ajudar o outro a crescer.
Todas as pessoas que se expressam com fervor, das duas uma:
- Ou têem algo a ensinar.
- Ou precisam de ajuda.

E, eu acho, que a vida talvez possa ser um pouco melhor, com essas trocas de opinião. Bj, M.C.