sexta-feira, 30 de maio de 2008

Um sonho magenta


No meu sonho havia uma casinha enterrada nas dunas de areia fina, com as paredes caiadas de magenta, como um grito de amor brilhando ao sol na calmaria do entardecer.
Havia um alpendre a abraçar a casa, com um chão de madeira macio e quente, cujas tábuas rangiam sob os nossos pés descalços, gemendo um riso alegre que exorcizava todos os fantasmas.
Havia no meu sonho uma rede de algodão branco com longas franjas que tocavam o chão e dançavam ao ritmo dos nossos corpos quando ficávamos abraçados a beber o pôr-do-sol.
Havia um vento morno e meigo que nos despenteava os cabelos numa onda castanha de rebelde suavidade e nos deixava os corpos com o brilho cintilante da areia colada à pele ...
Havia uma janela sempre aberta sobre o azul a perder de vista, por onde entrava o perfume da maresia que invadia os aposentos varridos de luz e de sol e de sal...
No meu sonho havia essa casinha, um lugar pequenino onde nos perdíamos do mundo e nos encontrávamos na simplicidade dos gestos do coração.
No meu sonho havia um lugar assim. Mas o meu sonho era apenas um sonho...
Diz-me... em que parte da vida é que se perdem os sonhos?

1 comentário:

Maria Campos disse...

Quando perdemos a própia vida.
É que deixar de sonhar é deixar de viver!

Bj, M.C.