quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Deixa o mar na pele


E quando eu me lembrava de que no dia seguinte o mar se repetiria para mim, eu ficava séria de tanta ventura e aventura. Meu pai acreditava que não se devia tomar logo banho de água doce: o mar devia ficar na nossa pele por algumas horas. Era contra a minha vontade que eu tomava um chuveiro que me deixava límpida e sem o mar. A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade? Como sentir com a frescura da inocência o sol vermelho se levantar? Nunca mais? Nunca mais. Nunca.

Clarice Lispector, Banhos de Mar

3 comentários:

Maria Campos disse...

Magnífico ! Aliás, como sempre em Clarice.

Deixo-te um beijo de agradecimento pela bela escolha. Aliás, como sempre em Paula Mateus...

Maria Campos disse...

Magnífico ! Aliás, como sempre em Clarice.

Deixo-te um beijo de agradecimento pela bela escolha. Aliás, como sempre em Paula Mateus...

De Profundis disse...

Obrigada, Maria!

Beijo