domingo, 31 de outubro de 2010

Dos deuses e dos bichos


E de novo armadilha dos abraços
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada das carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e de silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato de Faria

5 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida

É dos poemas que eu mais gosto da Rosa Lobato faria.
É maravilhoso.

beijo
Sonhadora

De Profundis disse...

Concordo plenamente, Sonhadora. É um poema maravilhoso.

Beijinho

Lídia Borges disse...

"Somos bichos" - disseste!
Duvidei.

Penso, agora, que tinhas razão.
Há tanto de divino como de mundano no acto de amar!...

Um beijo

De Profundis disse...

Lídia, o amor é tão natural como respirar... Porque é que duvidaste de mim? :)

Beijos

Sotnas disse...

Olá Anna, desejo que tudo esteja bem contigo!
Natural, como diz o poema, animais que somos, apesar de racionais, o momento a dois é um dos poucos momentos que agimos como tal em oitenta por cento do ato. Talvez o momento em que somos mais verdadeiros, naturalmente falando!
Parabéns pela postagem deste belíssimo poema! Desejo pra você e todos ao redor tudo de iluminado em sua existência sempre, grande abraço e até mais!