segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Palavras impossíveis


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro, A Palavra Impossível

4 comentários:

Sonhadora disse...

Muito lindo este poema.
Em sil~encio escutei estas palavras que me tocaram.

beijinhos
Sonhadora

Anónimo disse...

A propósito de silêncio:


Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê


De Mário Cesariny, citado por
Pedro Gaivota

De Profundis disse...

Obrigada pela visita, Sonhadora :)

Beijinhos

De Profundis disse...

Pois é Pedro, tanta coisa se diz em silêncio...!
Obrigada pela partilha:)

Beijo