domingo, 31 de janeiro de 2010

Luar de Janeiro


"Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro" - dizia a minha avó. E lembro-me dela nesta noite fria do mês que se despede com uma lua enorme, de rosto redondo de porcelana branca, cintilando uma luz que parece sorrir-me de tão perto... É um brilho que apetece tocar, clareando os caminhos onde dá vontade de ser andarilho do infinito... Lá fora a quietude é total, nada se agita, como se o mundo aguardasse suspenso as novas ordens divinas. Tudo está tão sereno, tão bonito...! Não admira que este luar diferente tenha inspirado todos os poetas ao longo dos séculos... O luar de Janeiro é único, inigualável. A minha avó de novo, sorrindo-me nesta luz tão pura que afasta todos os demónios, que fecha todas as portas da saudade... Não, não é possível sentir saudade de quem guardamos dentro do peito, de quem nos vive ancorado na memória... Só dor...
Atraso o momento de entrar, acendo o último cigarro e sento-me cá fora, sob o luar enorme, abraçada ao sorriso da minha avó que fazia anos hoje, no último dia de Janeiro.

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Teu! Muito teu...

Um beijo carinhoso

De Profundis disse...

... É o meu jeito de usar as palavras... Sim.

Beijo