sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A espuma de um murmúrio


O amor tem uma música que nasce das
catorze linhas que se encontram entre os
dedos que escrevem o soneto e os lábios
que o lêem. Toco esta música quando
desenho o teu rosto, e começo a seguir
a linha que se solta dos teus lábios para
ver se chego ao horizonte do teu corpo,
onde o verso dobra o círculo de um
horizonte imprevisível. E dás-me o outro
lado da vida, para que eu descubra
o continente em que o sol nunca se põe,
as ilhas quentes de um calor de pássaros,
e o rumor incessante da maré a que a
tua voz roubou a espuma de um murmúrio.

Nuno Júdice, Equinócio

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Intenso!
Gosto de como as palavras se amam em alguns poemas. Estas enrolam-se num vai e vem de ondas suaves e quentes.

Boa escolha!

beijinho

De Profundis disse...

O Nuno Júdice é inimitável.
Um beijinho, Lídia.