quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Há dias que são navios


Há dias que são navios. Que nos empurram o peito com as quilhas de aço e nos atiram para o fundo dos abismos, onde um frio líquido se nos cola à pele como medusas negras... Há dias que são navios. Enormes, densos, que nos turvam a visão e nos obrigam a marear na cegueira dos sentidos, ao acaso... Há dias que são navios, que nos rasgam a pele em estilhaços de cansaço e rompem as velas da coragem...
Há dias assim. Como navios, numa viagem que não nos leva a lado nenhum.

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Há outros, que sendo navios sulcam a acalmia da alma, à luz doirada de poentes conciliadores que tudo nos dizem, sobre as rotas a seguir.
Depois das tempestades (todos sabem) que chegará a bonança.
Um beijo!

De Profundis disse...

Talvez seja verdade Lídia, mas há tempestades que nos amarrotam a alma... Sobrevivemos, sim, mas estamos diferentes.
Um beijo e um óptimo fds!