segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Palavras vagabundas


Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso, meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.

Manuel da Fonseca, O Vagabundo do Mar

2 comentários:

Kleine Hexe disse...

"E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!"

É assim mesmo!

Beijinhos

Kleine

De Profundis disse...

E o caminho é em frente, sempre em frente... porque atrás fica só estrada gasta, não é, Kleine?

Beijinhos para ti, algures no Porto.:)