domingo, 3 de maio de 2009

MÃE...


mãe, tenho pena.
esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto

2 comentários:

sentidos de coimbra disse...

Paulinha,

Tratou-se de um momento muito, muito bonito!
Não conhecia e amei!
Feliz dia para ti também!

beijinhos cris

De Profundis disse...

Cris, ainda bem que existem os poetas e nos permitem roubar-lhes as palavras...
Eu também acho o poema lindo!
Espero que tenhas tido um dia feliz... :)
Beijinho