terça-feira, 2 de agosto de 2011

Palavras solitárias

O amor é uma companhia.
Já não sei andar pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Alberto Caeiro e o imenso saber do não saber.
Que sabemos nós do amor que já não sabemos andar sós.
Uma escolha perfeita para hoje, digo eu...

Pronto, concordo!... "Roubo" o teu mar, mas tu também "roubaste" o meu girassol.

Beijo meu

L.B.


Sabes onde estou...

De Profundis disse...

E tu também sabes encontrar-me, sempre que queiras.

Um beijo, boas férias :)