segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Noites de sangue e de silêncio


Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia, A Recusa das Imagens Evidentes

2 comentários:

Sonhadora disse...

Lindo este poema de Natália Correia, adorei.


Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Uma verdade.

Beijinhos
Sonhadora

De Profundis disse...

Sonhadora, o poema é realmente muito bonito e estes são os meus versos preferidos:

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto

...

Obrigada pela visita,
Beijinho