terça-feira, 18 de maio de 2010

Prender as palavras


Às vezes, como hoje, enrolo-me para dentro de mim e abraço-me ao silêncio. Prendo as palavras, a voz de todas as palavras, seguro os gestos urgentes, e espero. Às vezes não gosto de mim nem disto que ecoa cá dentro, que pulsa devagar como um coração cansado, velho e desistente... Às vezes, como hoje, guardo tudo na gaveta mais desarrumada do sentir e ponho uma música a tocar... Vou ver o mar e derramo o olhar no voo das gaivotas... nas pegadas dos passantes tatuadas no areal... na espuma salgada das ondas muito azuis... Fecho os olhos e ouço o vento. Fecho os olhos e sinto o sol. E espero.
Às vezes, como hoje, eu sei que nada mais posso fazer.
E espero.

4 comentários:

Sonhadora disse...

Meu amigo
Há alturas em que nada mais podemos fazer senão esperar pelo sol.
Lindo seu texto.

beijinhos
Sonhadora

Blizard Beast disse...

O silêncio aparenta ser uma presença assídua nos teus textos. Esse amante etéreo que nunca nos abandona...

De Profundis disse...

Há qualquer coisa de triste na espera... mas todas as esperas carregam nos braços a esperança. E sim, Sonhadora, o sol acaba por voltar a brilhar, mesmo depois das mais terríveis tempestades...

Um beijinho

De Profundis disse...

És um leitor atento, Blizard :) Só no silêncio consigo ouvir todas as vozes... Até a minha.