quarta-feira, 24 de março de 2010

Pausa


A chuva voltou. Há algo de triste nesta Primavera tímida e escura que persiste na demora, que teima em não fazer explodir as flores, em não trazer os pássaros em revoadas barulhentas no céu riscado de azul. Lá fora o vento enlouqueceu, derruba os vasos das sardinheiras perfumadas, afoga as violetas nos canteiros e quebra o pé frágil dos ciprestes mais jovens... Eu páro a ouvir a tempestade e quase jurava que os deuses estão irados... Às vezes eles zangam-se, ciumentos da felicidade dos homens... Pouso a caneta vermelha, também ela exausta da tinta perdida e sinto mais fundo o cansaço dos últimos dias... Na voz lamentosa do vento há algo que me enegrece o brilho dos olhos e me faz mais pesado o peito... Não sei se é a chuva, o frio ou o vento, talvez o cansaço... ou este silêncio da casa quieta. Nem eu sei bem porque de repente entristeci...

2 comentários:

Sônia Brandão disse...

Há dias em que olhamos as coisas com olhos de tristeza. Dias de silêncio, de solidão. Mas não há solidão, somos nós que nos calamos, somos nós que ficamos sós.

Gostei muito do seu blog.
Um grande abraço.

De Profundis disse...

Obrigada pelas suas palavras, Sónia. Volte sempre que queira :)

Um beijinho