sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A tarde a chegar ao fim

 

Deixa que seja uma criança
a inclinar a tarde.
Dizem que é verão: não acredites.
O verão tem os pés iluminados pela lua,
o verão tem os nomes todos do mar,
não é o deserto
da cama aberta ao frio,
o prazer imitando a neve.
O que se vê daqui não é a dança
da claridade com o trigo,
o rio onde os cavalos bebem
a tarde a chegar ao fim.

Deixa que seja uma criança.

Eugénio de Andrade, in Contra a Obscuridade

6 comentários:

Maria João disse...



Só ela sabe a cor de todas as promessas possiveis numa tarde que finda.

Só Eugénio de Andrade sabia escrever um poema assim, envolvido de ternura.

Beijinho grande

Anna disse...

Tens razão, só o Eugénio sabia... :)

Saudades, Maria João. Abraço-te :)

Anónimo disse...

Foi uma bênção ter aqui passado neste fim de domingo!

*** Para Béns ***

zeka

Anna disse...

Zeka,

Muito obrigada por ter passado e por ter deixado palavras tão simpáticas.

Volte sempre :)

Maria Campos disse...

Lindo, Paula! Aliás, como sempre com Eugénio de Andrade.

Um beijo, Anna!

Anna disse...

Sim Maria, o maravilhoso Eugénio...

Um beijo :)