sábado, 22 de janeiro de 2011

O sangue dos segredos


Eu contarei a beleza das estátuas
- Seus gestos imóveis ordenados e frios -
E falarei do rosto dos navios

Sem que ninguém desvende outros segredos
Que nos meus braços correm como rios
E enchem de sangue a ponta dos meus dedos

Sophia de Mello Breyner Andresen

8 comentários:

Lídia Borges disse...

"A despersonalização é necessária para que haja Arte."- Diz ela, a Sophia.

Um texto só atingirá o estatuto de "literário" se for despojado do autor. Só depois de excluído o autor, será visível a Arte.

Que pensas disto?

Um beijo

Carmo disse...

E como só ela sabia contar a beleza das estátuas!!!

Um abraço

Boa semana

Mr.Orange disse...

Minha cara Sophia, esses segredos que enchem de sangue vossos dedos, são os mesmos que lhe atribuem vida e criatividade para criar tão belos versos.
Ótimo texto e ótimo trabalho! Quando tiver um tempo, dê uma passadinha no “Que letra é”.
Atenciosamente. Adriano MB.

joaquimdocarmo disse...

Nos dias de hoje, deparámo-nos, frequentemente, com "...gestos imóveis ordenados e frios..."! Talvez, sim, isso explique tanto "...sangue (n)a ponta dos ... dedos..." da humanidade! - Sophia, sempre sábia, inspirada e brilhante!
Beijinhos e bom fim-de-semana

De Profundis disse...

Penso que o autor, a alma do autor, está sempre implícita e agarrada ao olhar que faz nascer a obra. Para mim, a Sophia nem sempre tinha razão... e nisto, definitivamente, não tinha.

Um beijo enorme e saudades...

De Profundis disse...

A Sophia sabia contar tudo...

Um beijinho, Carmo :)

De Profundis disse...

Adriano, obrigada pelo comentário. Já passei no seu espaço, parabéns pelo seu trabalho.

Beijinho

De Profundis disse...

Quicas, as suas palavras são cheias de razão :)

Um beijinho