domingo, 19 de dezembro de 2010

No parapeito da insónia


Debruço-me no parapeito da insónia e deixo que o olhar se derrame sobre os meus medos. Trago-os guardados cá dentro do peito, numa gaveta de fundo falso que fecho à chave com os gestos incendiados de mil revoltas... É uma luta desigual, esta que travo com o coração. Ele ganha sempre, abre sem pejo as portas da memória e espalha-me pela pele o arrepio... Faz-me sorrir, o doido do coração, pega-me pela mão e leva-me por caminhos de água e de sol... Troça de mim, que eu bem o ouço, e solta os medos em mim que voam às cegas, algures pelos corredores do meu sangue... Ri-se de mim, o meu coração... Ri-se da memória da carne... e da insónia povoada de medos fugidios.

5 comentários:

Licínia Quitério disse...

Muito obrigada pela sua visita e comentário no meu Sítio. Pelo que leio no seu blog, da sua inegável qualidade ressalta que os nossos caminhos de escrita não são muito diferentes.
Um beijo para si.

Pedro Gaivota disse...

Tive uma ideia.
E que tal transplantares esse malvado coração?
Trocá-lo numa qualquer Feira Franca por um saco de feijão talvez… e aí vingar-te-ias…

Quem ri por último, ri melhor!

Ha, há, há , há…

De Profundis disse...

Visito-a muitas vezes, Licínia. É um prazer lê-la :)

Beijinho

De Profundis disse...

Pedro, não pode ser... Eu e o meu coração habituámo-nos já um ao outro. Não me imaginaria a viver com outro no peito.

Um beijo :)

JOE ANT disse...

Espero entrar na "normalidade" de leitura de blogues.
***
Hoje resolvi lembar-me desta "Insónia" e publiquei no meu blogue.
Bem haja.