sábado, 11 de julho de 2009

Palavras aladas


Em alguma vida fui ave.

Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.

E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.

Vivo a golpes de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.

Mia Couto, Lembrança Alada

2 comentários:

sentidos de coimbra disse...

Apeteceu-me enviar-te um beijinho.
cris

De Profundis disse...

Ainda bem que te apeteceu...
Um beijo também para ti, querida amiga.