quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Perdas...


Se ainda estivesses connosco, hoje festejaríamos o teu aniversário.
Haveria bolo, champanhe, presentes cuidadosamente escolhidos (tu nunca querias nada, nunca precisavas de nada) e cantar-te-íamos os parabéns sentados à mesa, com os teus olhos a brilhar muito, iluminando a noite, aquecendo a vida.
Olho a tua fotografia sobre a cómoda e sorrio-te sempre que os nossos olhares se encontram... Evoco-te vezes sem conta, num terror de te perder a memória, de deixar apagar os pormenores... Falo de ti aos meus filhos, tecendo o fio das histórias que não quero ver desmaiadas, esquecidas.
Ainda te choro... Fazes-me tanta falta! Não sei já quantos anos farias, não me lembro há quantos anos partiste...nem quero fazer contas. Não me interessa saber quantas léguas mede a estrada da minha saudade.
Beijo-te com uma ternura infinita (quem disse que não podemos beijar um Anjo da Guarda?) e abraço-te com a serena certeza de que dava tudo para te ter aqui...
Parabéns, minha querida, onde quer que estejas.

1 comentário:

Maria Campos disse...

Dia 4 de março já não irei a sua casa. Já não comerei o habitual folar e torta de camarão, preparados com carinho pela Dona Céu, especialmente para o senhor, mas também para nós. Já não cantaremos os parabéns nem brindaremos à sua saúde, porque já não precisa dela. Já não ouvirei mais as suas piadas inteligentes e adequadas que faziam sempre rir toda a gente.
Quando for ao café, encontrarei o seu lugar vazio. E já não tomaremos juntos o café que o senhor, com gosto e muito carinho, fazia questão de pagar.Já não irei mais ver o seu sorriso meigo e divertido, nem falaremos mais das novas e das velhas do jornal.
Hoje, eu beijei-o. Sim, beijei-o e fiz-lhe festas na face. Foi a minha despedida. E sabe, foi sofrida mas serena. Sim serena e em paz. Porque tenho a certeza, que ontem, por cima dos corvos e no meio das núvens negras, aquele quadrado azul turquesa era o sennhor.Era o senhor sorrindo e a dizer-me que estava muito bem, pois estava entrando no CÉU !