quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Como se Deus soubesse

 
Uns entardeceres magníficos, indescritíveis, têm pintado a minha cidade. Vale a pena parar, emudecida pelo poente ensanguentado, desembrulhado em tons violáceos e rosados que paralisam o olhar e suspendem a respiração... Vale a pena fazer a marginal a pé, de olhos postos no horizonte estranhamente rubro, estranhamente quente. Nem uma brisa suave empurra as nuvens tingidas de inusitados vermelhos, e a lua muito clara, muito brilhante, mentirosa no seu quarto crescente, parece estender um corredor de luz no caminho da traineira que se faz ao mar, perseguida pela revoada e pelos gritos das gaivotas... São apenas uns minutos, em que não me atrevo a respirar com o peito apertado, sufocado pela beleza do instante. Uns minutos antes da escuridão, tão efémeros, tão belos...! Como se Deus soubesse que eu ali estou, parada, esperando que os Seus dedos pintem o céu e o mar. Como se Deus soubesse  e me sorrisse um sorriso bondoso, me presenteasse com a alegria fugaz de um espetáculo inexplicável, uns pequeníssimos instantes que fazem o tesouro dos meus dias.  


7 comentários:

Pseudo disse...

Anna, gosto muito dos teus textos pessoais!

Anna disse...

Obrigada, Pseudo!

Volte sempre :)

Jorge disse...

Dois poemas: A imagem e o texto!

Anna disse...

OHHHH.......! Muito obrigada, Jorge!

:)

Anónimo disse...

Para que conste, fui EU que apresentei a Anna (ou o blog, vá) à Pseudo!!! É bom quando com um simples gesto se faz bem a duas pessoas em simultaneo.A Anna merece muito ser lida e a Pseudo também merece textos carregados da mais poética sensibilidade.

Cumprimentos a ambas

Anna disse...

Caríssimo,

Muito obrigada pela ternura e pela divulgação... Espero ser merecedora dela e não desiludir a Pseudo!

Cumprimentos a ambos e um beijinho especial para si :)

Pseudo disse...

Anónimo, obrigada, mais uma vez, pela parte que me toca. :)