segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

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Há uma primavera que se adivinha debaixo do chão deste janeiro longo que escorre devagar. É o mês de todas as promessas, com a agenda ainda vazia de datas impossíveis, onde todos os dias podem ser horizontes de serenidade. Só em janeiro é possível acreditar que agarraremos a vida, pressentindo debaixo dos passos os bichos vivos que rastejam e as sementes que rasgam a terra com os seus braços verdes e frágeis ainda, à procura do vento e do sol.
Em janeiro podemos renascer - acreditamos nisso - contando os minutos de luz que crescem nos entardeceres cada vez mais tardios, incendiados de esperança. E depois, sabes, há os melros que voltam e as azáleas que rebentam nos canteiros molhados... Sim, em breve será primavera de novo, talvez a vida pareça sorrir também por causa disso... E desejamos então voltar a acreditar. Em janeiro queremos muito sentir que o ano será bom só porque também não desistiram as aves que dançam no azul em revoadas felizes, ou porque estamos cansados de adiar a vida, de mentir para dentro da pele.
Até a lua o promete, uma lua enorme e branca, com o ventre cheio do luar mais lindo do ano inteiro... Talvez seja o luar de janeiro a promessa que faltava de que a primavera chegará em breve, de que é possível, afinal de contas, acreditar que não desaprendemos, que sabemos ainda renascer.  

6 comentários:

Lídia Borges disse...

Fico muito feliz por ver que regressas remoçada a uma promissora primavera.

Bem-vinda!


Saudades, mil.

Maria João disse...

Gosto de linhas abertas,
como estas que escreves.
Linhas que rasgam a terra e a cobrem de um enorme e doce amanhã, cheio de todas as coisas que semeiam sorrisos.

Beijinho grande Paula

Sônia Brandão disse...

Enquanto a chama da esperança permanecer acesa renasceremos em cada folha, em cada flor, em cada pássaro.

bjs

Anna disse...

Obrigada pela tua felicidade, Lídia.

Beijo-te e abraço-te com saudade :)

Anna disse...

Maria João, tu és responsável também pelo meu sorriso... :)

Beijo, saudades de ti, muitas!

Anna disse...

Eu sei, Sónia... E às vezes é preciso parar para acreditar nisso outra vez.
Obrigada pela visita,

Beijo