quinta-feira, 24 de junho de 2010

Com as mãos


Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo
onde havia

uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.

Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,

as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.

E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

Eduíno de Jesus, Com as mãos

5 comentários:

Lídia Borges disse...

As tuas escolhas são sempre perfeitas.


As mãos

Olho as minhas mãos
No regaço abandonadas
De pele gasta envelhecida.
Faço-as dançar
Dou-lhes vida
E olho-as tão cheias de nada

Lídia Borges

Beijo meu

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Um maravilhoso poema...belo momento de poesia.

Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento
do teu corpo em seu voo.

Adorei.

Beijinhos
Sonhadora

De Profundis disse...

As minhas mãos também têm estado cheias de nada... Obrigada pelas palavras e pelo carinho, Lídia.

Um beijinho

De Profundis disse...

Para mim também é maravilhososo, sim, Sonhadora.

Obrigada pelas palavras:)

Beijinhos

De Profundis disse...

E é óbvio que eu queria dizer "maravilhoso" :) Apenas isso.
Peço desculpa pela gralha...