terça-feira, 21 de abril de 2009

Momentos


De vez em quando gosto de ir ter com o mar.
Hoje tinha tempo livre, a manhã radiosa e dourada chamava-me, um suave vento morno sugeria a liberdade... E eu fui. Nunca sei de que cor o vou encontrar mas hoje o mar estava azul-azul. Um tom límpido e claro de azul que enche o olhar de espanto e obriga a boca a sorrir. Não há nada mais belo do que o mar e é um privilégio tê-lo assim tão perto, abraçando a cidade, perfumando-a de sal e de sargaço. Mas o mar ama-se de perto e por isso saí do carro e desci ao areal, vagarosamente, demorando o momento, saboreando toda aquela liquidez fria e azul que hoje, apaziguada, sussurrava com mansidão. É linda a voz do mar e é sempre diferente, acompanhando as emoções das ondas, ora iradas, ora rendidas numa serenidade que apazigua o coração mais inquieto. Com os pés na areia, pacificada com o marulhar tão meigo daquela voz salgada, perdi-me no tempo a procurar beijinhos. São cada vez mais raros e difíceis de encontrar, o tom rosado confunde-os com a própria areia, a pequenez do seu tamanho dificulta a procura e só o olhar mais atento os consegue descobrir... Mas eu tinha tempo e calma e paciência... como sempre tenho quando ando a apanhar beijinhos. E quando saí da praia, apesar das botas e das calças sujas, do cabelo despenteado em mil caracóis revoltos cheirando a maresia, tinha o peito sereno e feliz, e uma mão fechada em concha cheia de beijinhos, protegendo os tesouros que o mar nos dá e que a areia não conseguiu guardar do meu olhar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Por instantes, recolhi aos lugares mais saborosos da minha infância. Obrigada por me teres proporcionado esta "viagem". Bem hajas!

De Profundis disse...

E eu agradeço também as palavras tão simpáticas...Sinto-me feliz por ter tocado a memória ou o coração de alguém através da escrita...