sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Palavras brandas


Se for preciso, irei buscar um sol
para falar de nós:
ao ponto mais longínquo
do verso mais remoto que te fiz

Devagar, meu amor, se for preciso,
cobrirei este chão
de estrelas mais brilhantes
que a mais constelação,
para que as mãos depois sejam tão
brandas
como as desta tarde

Na memória mais funda guardarei
em pequenas gavetas
palavras e olhares, se for preciso:
tão minúsculos centros
de cheiros e sabores

Só não trarei o resto
da ternura em resto desta tarde,
que nem nos foi preciso:
no fundo do amor, tenho-a comigo:
quando a quiseres -

Ana Luísa Amaral, As pequenas gavetas do amor

2 comentários:

Maria Campos disse...

Há alturas que não temos palvras. Só sentimentos, emoções, tudo muito confuso.
Não quero pensar, não sei se quero pensar,mas não deixo de pensar.
A poeira tem que pousar,pra deixar de me ofuscar. Agora não vejo.

Bj, M.C.

Anónimo disse...

Muito brando, mesmo. E bonito.
Não conheço a escritora mas gostei muito.

Beijinho :)