segunda-feira, 14 de julho de 2014

Palavras roubadas

(...)
Eu estou sempre a querer que deus exista. Devia existir nem que apenas para isto. Um deus com uma missão precisa. Uma só missão, já seria grandioso. A de nos permitir levar um carinho a quem amamos. Porque o amor sem anúncio de retorno torna-se o mais difícil dos amores. Mas é amor. Vale sempre a pena e é, em último caso, o que justifica tudo. Mesmo que o outro não nos possa responder, sabendo bem que nos ama também, enquanto o lembrarmos valeu a pena.
 
valter hugo mãe, "Judite" in Jornal "Público" (13 de julho 2014)

6 comentários:

Lídia Borges disse...

A sensibilidade de valter hugo mãe deixa-me sempre emocionada. Como se nele deus existisse mesmo!

Um beijo

heretico disse...

"humano, demasiado humano..."

amamos porque esperamos o retorno...

beijo

Anna disse...

O valter tem um sentir diferente... Tenho saudades da produção poética...

Um beijo, Lídia.

Anna disse...

Muitas vezes amamos só, sem esperar nada em troca...

Um beijo, Herético.

Gustavo disse...

Concordo com o heretico, o amor incondicional não pede retornos, logo não é preciso nenhum deus mensageiro, como o Hermès/Mercúrio.
Libertemo-nos para sempre dos deuses! o valter hugo mãe escreve muito bem (li o Filho de Mil Homens) mas, na minha opinião, resvala algumas vezes para o "kitsch" , para um brejeirismo algo lamechas, isto é, nem tudo o que ele escreve é genial, embora o seu "sentir diferente" atinja muitas vezes o patamar da genialidade.

Anna disse...

Gustavo, quando puder leia "O Remorso de Baltazar Serapião". É o meu preferido :)

Beijo