terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

 
Nasci em julho, o meu mês preferido até à data em que fiz trinta anos. Nessa altura, a minha avó estava gravemente doente e sabendo que nada podia ser feito a não ser esperar, eu rezava para que ela ficasse durante todo o mês, para que não partisse durante o mês de julho... No dia mais triste de todos os meus aniversários, mais pálida do que nunca, ela abraçou-me e despediu-se de mim. Chorámos muito, sabíamos ambas que era a última festa onde ela estaria...
Julho era o mês dos meus anos, o mês da praia e das férias grandes, das noites quentes e dos jantares tardios, dos gelados, dos pés descalços e do corpo solto debaixo de vestidos leves... Era o mês da alegria e da serenidade, do respirar tranquilo, dos passos lentos pelas manhãs preguiçosas e do pulso liberto da tirania do relógio. Julho era o mês mais bonito do ano...
Agora, o mês de julho é apenas o mês em que a avó perdeu as forças e não conseguiu lutar mais. O mês em que a avó Ana me deixou e levou com ela um pedaço de mim. Um pedaço do meu coração, que anda por aí perdido numa mágoa infinita, embrulhado num luto eterno...

10 comentários:

Anónimo disse...

bommm dia Anna.

Anna disse...

Bom dia :)

Anónimo disse...

Avó (não a minha) mas que era Minha,
foi uma das Mulheres que mais Amei!
Anna...algo mais que nos une.

heretico disse...

perdas irreparáveis que obscurecem os dias solares...

beijo

Anna disse...

As avós não deviam deixar-nos nunca...

Obrigada, Caro Anónimo :)

Anna disse...

Sou má a lidar com perdas irreparáveis...

Um beijo, Herético.

Gustavo disse...

Com o tempo, vamos sentindo que os pedaços que nos foram arrancados por aqueles que partiram se vão afinal transformando em pedaços que nos foram deixados. Com o tempo, fará as pazes com Julho e a mágoa e o luto apaziguar-se-ão para dar lugar à orgulhosa serenidade de quem sabe que tem muito da avó Ana no coração.
Abraço.

Anna disse...

O Tempo, sempre o Tempo a curar feridas...

Um beijo, Gustavo.

Lídia Borges disse...


Pedaços de ti na saudade que dói. Uma avó nunca se perde do coração. Só da vista...

Beijo meu

Anna disse...

As avós, depois de partirem, vivem dentro de nós.

Um beijo, Lídia.