sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pranto

 


É o pranto
Que ninguém chora
Que eu agora
Canto.

E aquele amor constante,
Desenganado
Que nunca teve amante
Nem amado.

E o gesto cordial que se não fez,
Nem faz
E fica por detrás
Da timidez.

E o imortal poema
Por acontecer,
Irmão do vento, seu rival sem asas:
Lume a fugir das brasas
Antes de a lenha arder.

Miguel Torga, "Limbo" in Orpheu Rebelde

6 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Excelente escolha poética.
Anna, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Maria João disse...


E quanto vale a lágrima que é canto, Um canto assim cantado pela boca do poeta.

Um beijinho, minha querida.
Em breve, contigo,entre palavras ditas e escritas... espero ;-)

Lídia Borges disse...


Gosto tanto!...

Até lá. Às Correntes... :)

Anna disse...

Obrigada, Nilson :)
Uma boa semana para si!

Beijo

Anna disse...

Encontramo-nos nas Correntes, Maria João... :) E não vamos perder nadinha!!!

Beijo

Anna disse...

Espero-te aqui, Lídia :) Está quase tudo a postos, texto quase sabido... Não quero portar-me mal e envergonhar-te :)As Correntes que nos aguardem...!

Beijo