sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um sopro do coração



Esquece o que eu escrevi, deita-te aqui perto
e ouve só as minhas palavras sem sentido,
o balbuciar que eu solto antes da voz,
tudo o que há tanto tempo trago preso na garganta.

Nem o ritmo da cantilena aprendida na infância,
nem a música da poesia:

ouve apenas o balbuciar, o sopro antes da voz,
quase um estertor, mas a dizer agora
que estamos vivos.

Luís Filipe Castro Mendes, in Lendas da Índia

2 comentários:

Lídia Borges disse...

A voz pode ser excessiva em dados momentos, quando o sentir não cabe nas palavras, como se alma, de tão grande, tivesse engolido o corpo.

Saudades!

L.B.

Maria João disse...

O único sopro que diz tudo o que é mais silencioso.

Soprado daqui... um beijinho ;)