quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As Facas do Amor


Quatro facas nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome.
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra. (De arma branca).
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue e não estanca.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas.
E em cada assalto sou assassinado.

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.

Manuel Alegre, As Facas

6 comentários:

Anónimo disse...

Quem com "facas" mata, com "facas" morre...

Anna disse...

Essa é a mais pura das verdades.

Obrigada pela visita:)

Maria João disse...

Infinitamente amplo, imenso e dual, como o amor é...

Tão bonito que é este poema de Manuel Alegre.

Obrigada, Paula!

Beijinho grande para ti.

Anna disse...

Beijinho, Maria João :)
Saudades de ti!

Lídia Borges disse...

Um belo soneto a lembrar Ary dos Santos, aqui e ali.
O amor impresso, frente e verso, para que não perca nada de seu.

Um beijinho

Lídia

Anna disse...

Um beijinho, Lídia :)
E já que estamos quase lá, FELIZ NATAL!