segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pai, quero que saibas


É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és.

José Luís Peixoto, Morreste-me

6 comentários:

BRANCAMAR disse...

Muito lindo!

Mais do que ler José Luís Peixoto é maravilhoso ouvi-lo, estar com ele, conhecer-lhe a humildade e é disso também que são feitos os seus livros.

Beijos
Branca

Lídia Borges disse...

Esse livro marcou-me definitivamente. Escreva o que escrever José Luís Peixoto (estou a ler o "Abraço"), nada mais superará o que "Morreste-me" me fez sentir.

Também te tocou, bem vejo.

Beijo meu

Anna disse...

José Luís Peixoto tem a humildade de que só são capazes os grandes escritores. Obrigada pela visita, Branca :)

Beijinho

Anna disse...

Tocou-me sim, Lídia... Hoje era o dia do aniversário do meu pai e só as palavras de José Luís Peixoto conseguem traduzir o que eu gostaria de lhe dizer...

Beijo

sentidos de coimbra disse...

Ainda vou a tempo de deixar um beijinho.
cris

Anna disse...

Vais sim, Cris :)

Um beijo