terça-feira, 22 de novembro de 2011

O sal do teu sorriso


Às vezes é verão dentro da minha memória e o tempo não tem pressa nas horas deitadas fora sem sentimentos de culpa. E ouço a tua voz. A doce melancolia da tua voz, a abrir sulcos no pântano da saudade que sempre escorre em mim. É igual ao que sempre foi, lembrando-me das coisas que foram e ainda das que hão de vir. Não sei bem porquê, este estio seco a rasgar lembranças, assim tão de repente. Sei que é verão e nos poemas da tua boca tens ainda os lábios húmidos, abertos no sal de um eterno sorriso. O mesmo sorriso suspenso, paralizando os ponteiros. O mesmo sorriso com que me juraste tudo, o mesmo sorriso com que me prometeste tanto.

6 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns Anna!
Um texto fantástico com uma frase final belíssima.

LeChateau

Lídia Borges disse...

Há tanto sal na tua poesia!... Salitre que seca a alma na lembrança e na sede de um sorriso.

Deixo o meu abraço carinhoso

Lídia

Maria João disse...

Ana Paula

A mémória é, tantas vezes, um mar que nos abraça, que absorve de nós o sal e fortifica a raiz.
Existe sempre dia e noite dentro da memória, embora os nossos olhos a vejam, com a dimensão de uma nova e diferente claridade.

Um beijinho

Anna disse...

Obrigada, LC. :)

beijo

Anna disse...

Também te abraço, Lídia :)

Beijo

Anna disse...

Obrigada pelas palavras, Maria João :)

Beijo e saudades