domingo, 9 de novembro de 2008

Um post de quatro patas


Há pessoas que não gostam de bichos.
Os chamados animais de companhia, causam-lhes repugnância, provocam-lhes alergias, enchem-lhes a casa de odores, sujidade e pêlos. São uma prisão, destroem os cortinados, os tapetes e os sofás, roem os chinelos preferidos, arrancam as roupas do varal, escavam a terra dos vasos à procura de tesouros perdidos, deitam-se sempre na sua poltrona preferida, roubam a comida de cima dos balcões ao menor sinal de distracção e além disso, exigem imensa atenção... Uma verdadeira maçada...! Estas pessoas estão no seu direito... claro que sim. Têm, sem dúvida alguma, uma vida mais serena do que um amante dos animais... As pessoas que não gostam de bichos nunca alimentaram uma cria a biberão, nunca se preocuparam com as horas certinhas do antibiótico de um animal doente, nunca fizeram um curativo a um bicho ferido; estas pessoas nunca saíram do quentinho da sua casa para ir procurar na noite gelada um amigo que se perdeu, não ficaram de olhos abertos no escuro a imaginar se ele teria comido e bebido, se estaria ainda vivo, se acharia o caminho de volta... ou se alguém que o pudesse amar o teria recolhido e tratado tão bem como nós... As pessoas que detestam animais nunca ajudaram uma fêmea a parir, nunca ultrapassaram na estrada os limites de velocidade para chegar a tempo de entregar um animal atropelado ainda com vida nas mãos salvadoras de um veterinário... Nunca choraram por um cão ou um gato, nunca os viram envelhecer nem se sentiram de luto no momento de enterrar e dizer adeus a um companheiro de longos anos... Não sabem talvez o que é a saudade apertada que o coração acusa durante as férias que se demoram porque o nosso bicho não viajou connosco... Desconhecem a sensação gratificante que é regressar a casa todos os dias e ser recebido por um meigo par de olhos que nos esperou arrastando as horas vazias e se sente feliz por nos ver, que nos ama e nos é fiel sem exigir nada em troca... Não saberão talvez nunca, qual o sabor do momento em que a família escolhe o nome e prepara o ninho que acolherá um cachorrinho ou um gatinho... Não darão consigo a sorrir enquanto observam um filho a brincar doidamente com um animal e não conhecem a cor dos minutos em que quando a alma dói e o nosso bicho o pressente, se vem deitar silenciosamente na cadeira vazia a nosso lado e ali fica, só porque sim... Nunca escovaram ou lavaram um ser peludo, nunca sentiram a calma regressar ouvindo apenas o ronronar de um gato ou acariciando com ternura o pêlo sedoso de um cão...
Sim, há pessoas que odeiam bichos... e eu respeito-as... mas tenho para mim que há uma dimensão grandiosa da vida e do amor que lhes passa completamente ao lado...

2 comentários:

sentidos de coimbra disse...

Se os nossos animais não são familia, que outro nome deverão ter?
Se soubessem o bem que faz um animal...mas se soubessem...

beijo

cris

De Profundis disse...

Cris, acabaste de dizer o que me parecia que faltava...
Beijinho