Que dias há que na alma me tem posto/ um não sei quê, que nasce não sei onde,/ vem não sei como, e dói não sei porquê. - Luiz Vaz de Camões
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Palavras de água
Através do teu coração
passou um barco
Que não pára de seguir sem
ti o seu caminho.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Navegações
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Obrigada!
Foi uma noite cheia de uma magia inesquecível... Recebi beijos, abraços dados com lágrimas nos olhos e vontade de não largar, flores e poemas. Recebi os amigos que vieram cheios de risos e encheram a sala de perfume e de cor... Obrigada a todos os que estiveram presentes, e aos que queriam estar mas não puderam... Obrigada pela festa tão linda, em volta do meu livro.
Entrego-vos O Guardião do Silêncio, com todos os espaços em branco que eu quis deixar, com todas as entrelinhas para onde podem escorregar, onde podem aninhar-se a sonhar os vossos sonhos...
Os direitos de autor deste livro reverterão integralmente para o IPO do Porto. Porque sim.
O Guardião do Silêncio é vosso. Eu não tenho mais nada para oferecer.
Ana Paula Mateus
Ana Paula Mateus
sábado, 12 de setembro de 2015
É hoje...!
Nunca um convite foi uma obrigação. Mas a sua presença será uma honra e uma alegria.
As portas estão abertas, venha conversar connosco.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Ver por dentro
Nós temos olhos que se abrem para dentro. Esses que usamos para ver os sonhos.
Mia Couto, in Estórias Abensonhadas
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Às vezes aqui faz frio
Contar-te que a chuva parou, e deixou o chão da cidade submerso num brilho escorregadio... Parou de mansinho, no entardecer quieto e quase frio deste outono já encostado ao fim dos dias, cada vez mais breves. Contar-te que a luz rasgada do sol poente - o último raio de sol - rompeu a medo os céus escuros e chegou dourada, numa maciez que trouxe de volta os pássaros. Contar-te nadas, pequenos nadas, - como tu dizias. Como terias repetido, se eu te tivesse telefonado só para te contar a morte da chuva. E terias rido, e terias perguntado se eu me tinha molhado, se tinha andado à chuva como uma miúda irresponsável...
Ainda não apaguei o teu número de telefone. Continuo a querer contar-te: os pequenos nadas. A chuva miudinha, fria, batida pelo vento norte - que me encharcou até aos ossos, que me gelou a pele e me entrou no coração... Uma chuva igual, tão igual, igualzinha à do dia em que morreste...
E é sempre esta chuva fria e triste que me faz regressar a ti, nos dias em que não sei de mim.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Da Solidão
Porque eu trazia rios de frescura
E claros horizontes de pureza
Mas tudo se perdeu ante a secura
De combater em vão
E as arestas finas e vivas do meu reino
São o claro brilhar da solidão.
Mas tudo se perdeu ante a secura
De combater em vão
E as arestas finas e vivas do meu reino
São o claro brilhar da solidão.
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poema Perdido" in Obra Poética
sábado, 29 de agosto de 2015
O Guardião do Silêncio
O Guardião do Silêncio é um trabalho amadurecido a que chamei "um quase-romance sobre Saudade". É uma narrativa que espreita o avesso dos seres humanos, os sentimentos que se calam ou que só se confessam em solidão, que desnuda os fantasmas do passado e os olha de frente, sem medo.
Gosto de tudo, neste livro: da capa (um lindíssimo desenho a aguarela e tinta-da-china que ilustra na perfeição a história dentro das páginas), do formato e dimensões invulgares que terá, das personagens, do enredo, das estórias dentro da história... Gosto de tudo - este livro é o meu rosto e é o livro que eu sabia que teria de escrever.
O lançamento é no dia 12 de setembro, às 21.30h, na Biblioteca Diana-Bar da Póvoa de Varzim. Se estiver perto, se lhe apetecer e puder, passe por lá... Eu vou gostar de conversar consigo.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Palavras roubadas
Esta noite preciso de outro verão sobre a boca
crescendo nem que seja de rastos.
Eugénio de Andrade, in Obra Poética
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Do Amor
- Como são os livros de amor?
- Disso receio não te poder falar. Não li mais que um ou dois.
- Não interessa. Como são?
- Bem, contam histórias de duas pessoas que se conhecem, que se amam e lutam por vencer dificuldades que as impedem de ser felizes.
Luís Sepúlveda, in O Velho que Lia Romances de Amor
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Cá dentro
Podemos subir a pé uma escarpa, uma duna, uma montanha, uma falésia, sei lá eu, um penhasco no fim do mundo, qualquer coisa que nos deixe mais perto do azul... E depois eu posso dizer palavras belas à toa: ave, peixe, árvore, mar. Ou talvez não chegue a dizer nada. E esse silêncio entre nós será a música com que pousas as nuvens no meu colo.
domingo, 26 de julho de 2015
Vento de verão
Penso que podia ser livre e descer descalça esta avenida em direção ao mar, sandálias na mão e o azul do céu preso nos cabelos molhados. Fecho os olhos ao brilho do sol refulgindo no granito que piso devagar, tento desvendar os segredos na voz das gaivotas e caminho neste verão ventoso e morno de cidade costeira. Os dedos do vento prendem-se ao meu vestido e tecem-me entrançados misteriosos nos fios do cabelo. Sorrio: agarro esta promessa de chuva no céu do verão e não paro, caminho sem pressa e sem destino no coração da cidade.
Entro dentro do vento com o entardecer pousado nos ombros e a luz única do ocaso brilhando-me por dentro dos olhos. Sorrindo porque é verão. Sorrindo ao vento do verão.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
No véu da noite
as mãos pousadas sobre o peito.
só o silêncio se ouve.
no véu da noite,o silêncio dos amantes de olhar suspenso
cresce pelos seus corpos
como trepadeiras nas paredes
das casas em ruínas.
o desejo acontece e os olhos,
brilhantes e cúmplices,
aguardam que as mãos escondidas se toquem,
que explorem o corpo,
como pequenos pássaros inquietos.
de mãos pousadas sobre o peito,
só a solidão se sente,
quando no véu da noite
os amantes se entregam num só corpo.
Paulo Eduardo Campos, "O Quarto" in A Casa Dos Archotes
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Palavras possíveis
Podes dizer ao mundo inteiro que estas letras são tuas. Assim como os desenhos que fiz, os espaços que deixei. Podes dizer a toda a gente que um dia te amei e que foste tu quem me fez poeta. Podes nadar em orgulho ao saber que todos os copos que bebi foram por ti. Que os cigarros que fumei ansiosa e apressadamente foram pela saudade do teu corpo.
Quando falarem de raios e relâmpagos, de trovões e de tufões, vais poder dizer que fui eu quem fez a China, quem ergueu muralhas e deitou lágrimas de sangue. Quando te perguntarem se um dia me conheceste, diz que sim.
Responde um afirmativo de poder e de vontade. Podes deixar o medo do conhecimento alheio, agora que te sou completamente alheia. Quando um dia o mundo se desfizer verdadeiramente em estações trocadas - o Verão pelo Outono ou o Inverno pela Primavera - aí podes descansar. Podes contar à galáxia e aos seus sobreviventes que, meu eterno desconhecido, um dia me fizeste rainha.
sábado, 4 de julho de 2015
Palavras roubadas
Mas já não tenho mais tanta pressa. Comecei a aprender a ser mais gentil com o meu passo. Afinal, não há lugar algum para chegar além de mim. Eu sou a viajante e a viagem.
Ana Jácomo
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Palavras perfeitas
por vezes
caídos do nada
acomodam-se
no ninho
da minha comoção
são chilreios
do tempo
em que nasciam pássaros
nos teus olhos
Lídia Borges, "Pássaros" in Searas de Versos (www.searasdeversos.blogspot.com)
quarta-feira, 17 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Pó
Somos feitos da poeira das estrelas.
Carl Sagan, in As Ligações Cósmicas - Uma Perspectiva Extraterrestre
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Orgulho Poveiro
Sofreu-se muito, muito... Mas apesar de reduzido a dez jogadores, no minuto 80 o meu Varzim subiu à II Liga...!
E a cidade, pintada de fogo, adormeceu tarde.
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