quarta-feira, 27 de abril de 2016

Do ódio


O amor acrescenta-nos com o que amarmos. O ódio diminui-nos. Se amares o universo, serás do tamanho dele. Mas quanto mais odiares, mais ficas apenas do teu. Porque odeias tanto? Compra uma tabuada. E aprende a fazer contas.

Vergílio Ferreira, in Pensar

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Da Escolha


Todas as vitórias ocultam uma renúncia.

Simone de Beauvoir

quarta-feira, 13 de abril de 2016

No dia de um beijo


Se partiste, não sei.
Porque estás,
Tanto quanto sempre estiveste.

Moras dentro,
Sem deus nem adeus.

Mia Couto, in Vagas e Lumes

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Teoria Geral do Afastamento


E depois, o tempo. A música ao longe, dentro dos ouvidos, ecoando ininterruptamente nas escadas dos dias: A vida é sempre a perder... - não é assim que diz a canção? 
Contava-te, não me esqueci: o tempo. A rir-se de nós, das nossas ideias inocentes de que o amor e a amizade são mais fortes do que o afastamento. Do que a morte. Mas - dizia eu -, o tempo. Esse sábio professor: o tempo. A provar que não há dor maior do que a do afastamento. E não, não falo de distância física... É da outra que eu falo, da distância daqueles que defenderíamos com unhas e dentes, daqueles que amamos mesmo, mesmo, só porque sim, apesar dos defeitos, das imperfeições, das escolhas erradas. Falo dos amigos que amamos na cegueira das semanas, dos meses, dos anos, daqueles que contamos sempre quando contamos a família, daqueles cujo nome dizemos dentro de nós no momento em que sopramos as velas do bolo no nosso aniversário. É desses de quem eu falo. Dos que nos fariam mover montanhas, se preciso fosse. Mas depois, o tempo. Um dia, sem o esperarmos, o afastamento - e alguém deixa de dizer o nosso nome, deixamos de contar na lista de presenças do coração. 
A vida é sempre a perder... - dizia-te. E percebemos que estamos sós, quando na lista do nosso coração, ninguém responde à chamada. Porque ninguém nos ouve, ninguém nos vê - pois, vê lá tu, por causa do tempo...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ó Stora...


Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.

Rubem Alves

(Alguém tem dúvidas, meus senhores...?)