domingo, 29 de março de 2009

Palavras aladas


Pintam o amor cego e com asas.
Cego, para não ver os obstáculos.
Com asas, para ultrapassá-los.

Jacinto Benavente

segunda-feira, 23 de março de 2009

Encontro


Há sempre um livro aberto ao acaso, onde no fundo de uma frase nos encontramos de repente, como num espelho...
E é só por isso que marcamos páginas, para podermos voltar facilmente ao espelho quando nos perdemos de nós.

domingo, 22 de março de 2009

Às vezes...


Não consigo definir prioridades.

sexta-feira, 20 de março de 2009

É Primavera...!


Esta é a altura do ano de que mais gosto. Com os dias crescendo devagar... um amanhecer mais luminoso, com aves a debandar em chilreada e voos felizes em revolutos de azul... Um ar ameno que sacode com tranquilidade a roupa perfumada no varal... e o meu jardim, qual aguarela, rebentando em explosões de cor...
Impossível não sorrir... É Primavera!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai


Hoje agarrei no bocadinho de ti que ainda tenho, e descolei-o com ternura dos corredores da memória... Hoje acarinhei o pouco que ainda me resta, cheia de medo de perder o tom exacto dos teus olhos escuros, a forma das mãos grandes com dedos esguios, o suave ondulado do teu cabelo... É tudo, quase tudo o que sobejou de ti. Já perdi a tua voz... Nesta vida quase toda sem o ninho do teu colo, foi-me descaindo aos poucos do coração, onde a trazia guardada. Resta-me o teu sorriso meigo iluminando as velhas fotos a preto e branco, o teu sorriso tão doce e tão bonito, imortalizado no papel pálido. Não posso perdê-lo nunca...
E por isso, hoje andei o dia todo abraçada a ti, Papá.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Palavras silenciosas


E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas...

Eugénio de Andrade, Sem ti

terça-feira, 17 de março de 2009

As minhas palavras


Lamento desiludir-te. Não sei usar as palavras de outro modo, é este o meu jeito...
Não sei afiá-las como facas, o gume das sílabas brilhando em lâminas de rancor e cravadas em peito alheio... Não consigo atirá-las como pedras, dispará-las como balas, que ao acaso, se cravarão nas emoções de alguém desenhando negros buracos fumegantes... Não permito que elas se soltem em vendavais medonhos, que se tornem temporais devastadores, arrasando tudo em redor...
Não sei usar assim as minhas palavras.
Desculpa, não consigo.

sábado, 14 de março de 2009

Certeza


Todos os poemas de amor foram escritos para ti.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Rascunho


Devagar e a medo, regresso às palavras.
Pouso-as nas mãos... e espero.
Há-de chegar o momento
em que elas farão sentido.

Nunca sei o que vou encontrar...
Porque, sabes...
Não sou eu que escrevo as palavras,
são elas que me escrevem a mim...

terça-feira, 10 de março de 2009

Impasse


Voa coração. Ou então arde.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 4 de março de 2009

Palavras preguiçosas


Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior do que a doença: é preciso entrar e sair dela.

Mia Couto, Mar me Quer

terça-feira, 3 de março de 2009

Vox populi, vox Dei


Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio.

Provérbio indiano

segunda-feira, 2 de março de 2009

Chamaste-lhe solidão


Chamaste-lhe solidão. Disseste-o baixinho, rompendo as palavras com um sorriso triste enquanto permitias que se adivinhasse essa dor pesada que te atormenta o respirar. Repetiste a palavra vezes sem conta, como o refrão doído de uma melodia que só tu ouves e que cantas a solo no vazio dos teus dias. Solidão. Solidão no meio dos outros, solidão invisível e silenciosa, que te esmaga o peito e te tira o ar. Nos teus olhos escuros não havia revolta ou angústia, só uma tristeza calma, uma aceitação serena de quem percebe finalmente que não vale a pena combater e se deixa levar como a última folha do Outono rodopiando nos braços do vento norte e tombada no chão, aguarda a viagem libertadora das primeiras chuvas que a levarão para outros rumos, para novos horizontes. Apeteceu-me dar-te a mão, abraçar-te, dizer-te que compreendo essa música que ouves sozinha e que às vezes ela também ecoa em mim... Mas as amigas nem sempre precisam de falar para se fazerem sentir... Muitas vezes ficam só ali a ouvir o desaguar de tantas lágrimas guardadas, escondidas no peito inquieto... Eu entendi do que falavas... e nem sei se reparaste, mas à mesa do café abracei-te com o olhar, beijei-te no esboço de um sorriso e secretamente desejei ter a chave para te libertar dessas grades pesadas como pedras que trazes no coração. Que te esmagam. Te sufocam. E a que tu chamaste solidão.